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Câmara dos Deputados

Erika Hilton quer anistiar mulheres condenadas por aborto desde 1940

Projeto de lei se restringe a casos em que a interrupção da gravidez foi decisão da gestante ou ocorreu com seu consentimento.

Congresso em Foco

16/2/2026 19:00

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Tramita, na Câmara dos Deputados, projeto de lei que concede anistia a indivíduos que enfrentam acusações ou condenações relacionadas ao aborto (820/2025). De autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP), a proposta se restringe a casos em que a interrupção da gravidez foi resultado de uma decisão da gestante ou ocorreu com seu consentimento.

O texto prevê a anistia a casos de abortos realizados desde 7 de dezembro de 1940 até a data de eventual publicação da lei. Pelo Código Penal (2.848/1940), as penas variam de um a três anos de reclusão para a mulher que provoca o próprio aborto, até quatro anos para quem realiza o procedimento com o consentimento da gestante.

Conforme o projeto, a anista é concedida mesmo quando a pena privativa de liberdade tenha sido convertida em pena restritiva de direitos, ou se a pessoa estiver cumprindo pena em regime aberto ou prisão domiciliar.

Crianças e adolescentes que tenham cometido ato infracional equivalente ao crime de aborto também se tornam isentos de cumprimento das medidas socioeducativas.

Projeto foi apresentado em março de 2025.

Projeto foi apresentado em março de 2025.Jessica Marschner/Câmara dos Deputados

Erika Hilton argumentou que a criminalização da prática restringe o acesso das mulheres ao sistema de saúde, o que incentiva o uso de métodos inseguros.

"Depois do aborto, por medo de denúncias e represálias, a criminalização faz com que um volume imenso de mulheres evite exercer seus direitos de tratamento independentemente das causas do problema de saúde. Ou seja, qualquer outra proibição não tem a mesma magnitude na restrição do direito à saúde da população brasileira como a criminalização do aborto."

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) citados pela autora, cerca de 400 novos processos foram abertos anualmente no Brasil entre 2018 e 2020 por autoaborto ou aborto consentido.

Um estudo de 2012 do Instituto de Estudos da Religião (ISER) também mencionado por Erika Hilton aponta que 20,2% dos casos de aborto no Rio de Janeiro entre 2007 e 2010 foram processados na Justiça juvenil.

"Essas mulheres também são as mais vulnerabilizadas no acesso à justiça, haja vista que poucas mulheres entram com recurso contra sentenças condenatórias de aborto, e ainda menos mulheres ganham quando o fazem."

Em caráter conclusivo, a proposta será analisada pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovado nos dois colegiados, o consenso substitui votação em Plenário e o texto vai ao Senado.

Em outubro, a deputada Sâmia Bonfim (Psol-SP) foi designada relatora da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. O colegiado agora espera parecer.

Leia a íntegra.

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Erika Hilton projeto de lei câmara dos deputados aborto

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