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VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Cármen Lúcia diz que Caso Marielle evidencia violência política de gênero

Ministra afirmou que o crime evidenciou a violência política de gênero e a tentativa de silenciar mulheres na vida pública.

Congresso em Foco

25/2/2026 14:36

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Durante o julgamento da Ação Penal 2434 na 1ª Turma do STF, a ministra Cármen Lúcia afirmou que o assassinato da vereadora Marielle Franco também deve ser compreendido como um ato de violência política de gênero. A declaração foi feita nesta quarta-feira (25), ao proferir voto pela condenação dos acusados.

A ministra disse que mulheres ainda não são plenamente reconhecidas como sujeitas de direitos. "Nós mulheres, e mesmo eu branca e mesmo eu juíza, nós somos mais ponto de referência do que sujeito de direitos", afirmou.

"Sabe aquela que está ao lado daquela mulher magrinha? Sabe ao lado daquela de cabeça branca? Nós somos referência, nós somos quase, muito parecidas com os seres humanos, mas não temos a integridade ainda de um reconhecimento pleno."

Para Cármen Lúcia, esse cenário torna a violência contra mulheres mais recorrente e socialmente tolerada.

"Matar uma de nós é muito mais fácil, matar fisicamente, matar moralmente, matar profissionalmente, é muito mais fácil, continua sendo."

Ela comparou o tratamento dado a outros nomes citados nas investigações. "Marcelo Freixo, quando foi cogitado inicialmente, era mais difícil. Chega-se a dizer expressamente: 'é presidente de partido', aí não pode. Mas uma de nós é só para dar um recado", afirmou.

Cármen Lúcia classificou o episódio como violência política. "É uma violência política. E aí a afronta é maior. 'Agora, além de tudo, mulher fala, ainda fala alto? E ainda fala na minha área?'", ironizou.

A ministra disse que o julgamento ocorre em um momento em que a sociedade reivindica igualdade de direitos.

"Estamos num mundo em que queremos direitos iguais. Estamos no mundo em que todo ser humano tem que ter o respeito pelos seus direitos. Estamos no mundo em que a dignidade é exigida da pessoa humana, e não de um homem branco médio ocidental."

Todos os ministros da 1ª Turma acompanharam o entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes, que afirmou que Marielle foi morta por ter se tornado "pedra no caminho" da milícia e que o crime uniu motivação política, racismo e misoginia.

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