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MAIORIDADE PENAL

Senado retira debate sobre maioridade da PEC da Segurança Pública

Plenário decidiu analisar em separado as emendas sobre maioridade penal, preservando a redação aprovada anteriormente pela Câmara.

Congresso em Foco

3/11/2026 18:53

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O Senado aprovou nesta terça-feira (3), por 38 votos a 36, o requerimento do relator Rogério Carvalho (PT-SE) para retirar da PEC da Segurança Pública o debate sobre a redução da maioridade penal. A decisão determina que as emendas apresentadas por Rogério Marinho (PL-RN) e Camilo Santana (PT-CE) tramitem como matéria autônoma, sem alterar o texto principal, aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados.

O requerimento foi apresentado pelo relator com apoio do governo Lula. A proposta estabelece que as duas emendas sejam analisadas conjuntamente, em processo legislativo separado. O encaminhamento permite que o Senado prossiga com a votação da PEC da Segurança sem incorporar alterações relacionadas à responsabilização criminal de adolescentes.

Separação de debates foi proposta em requerimento incluído no relatório de Rogério Carvalho.

Separação de debates foi proposta em requerimento incluído no relatório de Rogério Carvalho. Carlos Moura/Agência Senado

Carvalho defendeu a separação das propostas diante da complexidade jurídica da redução da maioridade penal e das divergências sobre sua constitucionalidade. O relator também argumentou que a discussão exige maior aprofundamento e participação de especialistas.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), manifestou apoio ao requerimento e pediu que os parlamentares preservassem o texto aprovado pelos deputados. A senadora defendeu a construção de um acordo para permitir a conclusão da tramitação da PEC e garantir a rápida implementação sem a necessidade de novo trâmite na Câmara.

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Resistência da oposição

A oposição orientou voto contrário ao requerimento, defendendo que o Senado deliberasse diretamente sobre a emenda apresentada por Rogério Marinho. O líder Rogério Marinho argumentou que a separação das propostas retiraria dos parlamentares da atual legislatura a possibilidade de decidir sobre a redução da maioridade penal. "Eu peço aos nobres pares que nos garantam o direito de legislar", declarou.

O líder do PL, Carlos Portinho (PL-RJ), somou ao posicionamento de Marinho, relembrando que a redução da maioridade penal foi incluída como proposta de governo tanto na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quanto de Flávio Bolsonaro. "O consenso quanto à redução da maioridade é evidente", apontou.

Emendas apartadas

A emenda da oposição, apresentada com apoio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), estabelece a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral, com responsabilização a partir dos 14 anos para determinados crimes graves.

Já a proposta de Camilo Santana mantém o limite de 18 anos para a maioria das infrações, permitindo punição penal aos 16 anos exclusivamente nos casos de crimes hediondos.

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Impasse na tramitação

A disputa sobre a inclusão da redução da maioridade penal havia levado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a adiar a votação da PEC em 15 de outubro. Na ocasião, integrantes da própria base governista divergiram sobre o acolhimento da emenda de Camilo Santana, que recebeu apoio de parte da bancada petista, incluindo o relator Rogério Carvalho.

O governo defendia que a PEC fosse aprovada sem alterações, para evitar seu retorno à Câmara dos Deputados. A discussão já havia sido separada da proposta durante sua tramitação entre os deputados, após negociações para que o tema fosse examinado em comissão especial.

Com a aprovação do requerimento, o Senado poderá prosseguir com a análise da PEC da Segurança Pública sem incorporar as duas emendas. A proposta estabelece novas regras de integração das forças policiais, amplia a participação da União no combate ao crime organizado, autoriza a criação de polícias municipais e fortalece o financiamento do setor. O texto principal ainda depende de aprovação em dois turnos no Plenário, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada votação.

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