Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigos
  1. Home >
  2. Notícias >
  3. "No Brasil é barato matar", diz relator da PEC da Segurança Pública

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

COMBATE À VIOLÊNCIA

"No Brasil é barato matar", diz relator da PEC da Segurança Pública

Relator quer endurecer penas para líderes de facções e levar à consulta popular a redução da maioridade penal para 16 anos. Proposta deve ser votada na Câmara em março.

Congresso em Foco

18/2/2026 14:36

A-A+
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA

"No Brasil é barato matar." A frase, dita pelo relator da PEC da Segurança Pública, Mendonça Filho (União-PE), não é apenas um diagnóstico — é a justificativa política para uma mudança constitucional que pode redefinir o combate ao crime no país e dominar o debate eleitoral de 2026. O substitutivo apresentado por ele endurece penas para líderes de facções criminosas, amplia recursos para a área e prevê um referendo nacional, em 2028, sobre a redução da maioridade penal para crimes violentos.

Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, o deputado defendeu uma inflexão estrutural na política criminal brasileira. Para ele, a combinação de baixa taxa de elucidação de homicídios, progressão de regime e fragilidade na execução penal cria um ambiente de impunidade.

"Apenas cerca de 35% dos homicídios têm autoria identificada e em torno de 10% resultam em condenação. O criminoso faz cálculo de custo-benefício. Aqui, o custo é baixo", afirmou.

Referendo em 2028 e responsabilização penal

Um dos pontos mais sensíveis da proposta é a previsão de consulta popular sobre a responsabilização penal de adolescentes entre 16 e 18 anos que cometam crimes violentos, como homicídio, estupro e latrocínio. "Nada mais justo que um tema tão polêmico seja decidido pela população brasileira", disse.

O modelo defendido pelo relator prevê que jovens nessa faixa etária respondam penalmente, mas cumpram pena em unidades segregadas do sistema prisional adulto. Mendonça afirmou que a realização do referendo em 2028 foi pensada para afastar o tema da disputa presidencial de 2026. "Estou afastando do processo eleitoral para que não se diga que queremos politizar a eleição."

Ele relatou ter mantido reunião de mais de uma hora com o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e afirmou ter encontrado disposição ao diálogo. "O ministro demonstrou abertura para contribuir com sugestões."

Segundo o relator, o ministro não fez objeções à realização de uma consulta pública a respeito da redução da maioridade penal, tema que enfrenta resistência no PT e outros partidos de esquerda. O governo, porém, ainda não formalizou posição oficial sobre o substitutivo.

Fim da progressão para líderes de facção

Outro eixo central do texto é a criação de regime jurídico especial para organizações criminosas de alta periculosidade. O relatório determina que lei posterior restrinja ou proíba progressão de regime, liberdade provisória e conversão de pena para integrantes dessas estruturas. "Para mim é claro que esse tipo de criminoso não deve ter direito sequer à progressão penal." A proposta também prevê perda total do patrimônio obtido com atividades ilícitas.

Presídios sob controle e inteligência fortalecida

Mendonça sustenta que o sistema prisional brasileiro se tornou, em muitos estados, centro operacional do crime organizado. "Hoje o sistema prisional é, muitas vezes, o escritório do crime." O substitutivo cria o Sistema de Políticas Penais, reforça o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e amplia a capacidade de gestão do Executivo sobre unidades prisionais.

O texto também fortalece o Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) e amplia a coordenação entre forças federais e estaduais.

Descentralização e pacto federativo

A proposta altera o texto original do governo para evitar, segundo o relator, concentração excessiva de poderes na União. "O combate ao crime acontece na ponta. As polícias estaduais têm mais de 500 mil agentes. A Polícia Federal tem cerca de 3 mil. Não se combate o crime concentrando tudo em Brasília."

Pelo novo modelo, em ações integradas, a coordenação caberá ao ente que propuser a operação conjunta.

Recursos permanentes e impacto econômico

O relatório destina 15% do Fundo Social do pré-sal e 6% da arrecadação das loterias ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen). Segundo Mendonça, as novas fontes podem elevar os recursos anuais para cerca de R$ 6 bilhões.

"Hoje quase 80% do gasto vem dos estados. Precisamos de financiamento estável."

Ele afirmou que a insegurança impacta diretamente investimentos e distorce mercados. "O crime encarece transporte, seguros e transações", ressaltou o deputado, que é presidente da Frente Parlamentar do Ambiente de Negócios e diretor da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo.

"Não é panaceia"

O relator reconhece que a PEC não resolverá todos os problemas da segurança pública. "Não é panaceia. Não é passe de mágica."

Segundo ele, após a aprovação da PEC, será necessário avançar em reformas na investigação criminal, aumentar a taxa de elucidação de homicídios, aperfeiçoar a execução penal e modernizar estruturalmente o sistema prisional. "Parte do problema está na falha da investigação, da acusação e da condenação."

Votação após o Carnaval

A votação na Comissão Especial deve ocorrer na semana posterior ao Carnaval. A intenção do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), é submeter a PEC ao Plenário até março. Por se tratar de uma proposta de emenda constitucional, é necessário o apoio de ao menos 308 deputados, em dois turnos de votação, para que o texto seja aprovado e, então, encaminhado à análise dos senadores. No Senado, o apoio mínimo exigido é de 49 votos, em duas rodadas de votação.

Para Mendonça, o momento político favorece a discussão. "O Brasil clama por reação."

Críticas da base governista

Parlamentares da base e setores da esquerda, porém, têm manifestado reservas ao texto. As principais críticas apontam risco de inconstitucionalidade em dispositivos que ampliam o poder do Congresso para sustar atos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), além de questionamentos sobre eventual endurecimento excessivo do sistema penal sem avanço equivalente em prevenção, investigação e políticas sociais.

Há também preocupação com a constitucionalização de medidas que poderiam engessar futuras políticas públicas e com a possibilidade de o referendo sobre maioridade penal transformar um tema complexo em disputa plebiscitária polarizada. Integrantes do governo defendem que o foco principal deve estar na integração federativa, no financiamento estável e no fortalecimento das capacidades investigativas, evitando soluções exclusivamente punitivas.

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

Wellington César Lima e Silva facções criminosas Segurança Pública maioridade penal Mendonça Filho PEC da Segurança Pública Justiça Câmara

LEIA MAIS

BATALHA PELO TCU

Indicado ao TCU pela Câmara terá de passar por crivo da Corte

REAJUSTE SALARIAL

Lula sanciona reajuste e veta penduricalhos no Congresso

NOTÍCIAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES