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DIREITOS HUMANOS

PT vai ao STF após absolvição em caso de estupro de menina de 12 anos

Partido pede que o STF fixe regra nacional para impedir que consentimento ou relação familiar afaste o crime de estupro contra menores de 14. Argumento foi usado em decisão do TJMG que absolveu homem de 35 anos.

Congresso em Foco

24/2/2026 | Atualizado às 8:53

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O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou no STF uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) com pedido de liminar para barrar decisões judiciais que deixem de aplicar automaticamente o crime de estupro de vulnerável em casos envolvendo crianças menores de 14 anos. A ação foi apresentada pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, pelo líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), e pela deputada Maria do Rosário (RS).

O partido questiona decisão recente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos sob o argumento de que havia "vínculo afetivo" e "aceitação familiar".

Veja a íntegra da ação do PT.

Ação do PT pede decisão liminar do STF para impedir qualquer interpretação que não considere crime relação sexual com menor de 14 anos.

Ação do PT pede decisão liminar do STF para impedir qualquer interpretação que não considere crime relação sexual com menor de 14 anos.Marcos Oliveira/Agência Senado

O que diz o PT

Na petição enviada ao STF, o partido afirma que decisões desse tipo enfraquecem a proteção prevista na Constituição e na lei penal.

O texto sustenta que a interpretação adotada pelo tribunal mineiro "relativizou a presunção legal de vulnerabilidade prevista no art. 217-A do Código Penal" e teve "repercussão direta sobre os preceitos fundamentais da proteção integral e prioridade absoluta da criança".

Segundo o PT, permitir que fatores como consentimento ou vínculo afetivo afastem o crime cria uma brecha perigosa. A ação afirma que isso gera "efeito direto de redução da tutela penal em matéria constitucionalmente qualificada pela prioridade absoluta".

Em outro trecho, o partido diz que aceitar esse tipo de interpretação significa substituir o critério objetivo da idade por critérios subjetivos "estranhos ao tipo penal".

O que está em debate

De acordo com a legislação brasileira, qualquer ato sexual com menor de 14 anos é considerado estupro de vulnerável, independentemente de consentimento.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou esse entendimento na Súmula 593, segundo a qual não importa se houve relacionamento amoroso ou experiência sexual anterior.

Para o PT, abrir exceções com base em "vínculo afetivo" cria uma "zona de exceção" que enfraquece a proteção às crianças.

A ação também afirma que a Constituição impõe ao Estado o dever de "proteção integral" da infância e que permitir interpretações que flexibilizem essa regra rebaixa o nível de proteção garantido pelo texto constitucional.

O que o partido pede

O PT solicita que o STF conceda uma decisão provisória determinando que juízes de todo o país não afastem o crime de estupro de vulnerável com base em alegações de consentimento, vínculo afetivo, convivência familiar ou aceitação social quando a vítima tiver menos de 14 anos.

No julgamento final, o partido quer que a Corte fixe uma tese com efeito vinculante, deixando claro que esse tipo de interpretação é incompatível com a Constituição.

A decisão que gerou a reação

A ADPF foi apresentada após a 9ª Câmara Criminal do TJMG absolver, por maioria, um homem acusado de manter relação com uma menina de 12 anos. Os desembargadores entenderam que havia relação "consensual", com conhecimento da família, e formação de núcleo familiar.

A decisão reformou condenação anterior que havia imposto pena de nove anos e quatro meses de prisão.

A desembargadora Kárin Emmerich divergiu, afirmando que relativizar a presunção de violência representa retrocesso na proteção de crianças e adolescentes.

Reação no Congresso e no Judiciário

A iniciativa do PT não ocorreu isoladamente. Deputadas como Heloísa Helena (Rede-RJ), Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Sâmia Bomfim (Psol-SP) acionaram a Procuradoria-Geral da República para que proponha ao STF uma ação semelhante.

Parlamentares de diferentes espectros ideológicos, como Nikolas Ferreira (PL-MG), Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (Psol-SP), também criticaram a decisão.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu um Pedido de Providências para apurar a atuação do TJMG. O procedimento tramita sob sigilo. O Ministério Público de Minas Gerais informou que avalia medidas recursais.

Se o STF conceder a liminar solicitada pelo PT e depois confirmar a decisão no julgamento final em Plenário, poderá estabelecer uma regra obrigatória absoluta para todo o país: não cabe relativizar o crime de estupro de vulnerável com base em consentimento ou vínculo afetivo quando a vítima tiver menos de 14 anos.

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