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JUSTIÇA

Defesa de Bolsonaro pede ao STF prorrogação da prisão domiciliar

Advogados afirmam que quadro de saúde do ex-presidente segue exigindo acompanhamento médico contínuo. Prazo da medida humanitária termina nesta quinta-feira.

Congresso em Foco

23/6/2026 | Atualizado 24/6/2026 às 7:42

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A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação da prisão domiciliar humanitária concedida em março. O prazo inicial da medida, fixado em 90 dias, termina nesta quinta-feira (25).

No pedido protocolado nesta terça-feira (23), os advogados afirmam que as condições de saúde que justificaram a decisão anterior permanecem inalteradas e têm caráter permanente. A defesa solicita que a prorrogação seja concedida pelo período que Moraes considerar adequado.

Veja o pedido da defesa de Bolsonaro.

Bolsonaro está preso em casa desde março. Decisão caberá ao ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro está preso em casa desde março. Decisão caberá ao ministro Alexandre de Moraes.Pedro Ladeira/Folhapress

"Conforme temos sustentado, as condições de saúde do presidente, que suportaram o deferimento do pedido anterior, têm características permanentes, não tendo se modificado no trimestre em que permaneceu em custódia domiciliar", afirmou a defesa.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por ter sido condenado como líder de uma organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado em 2022, com o objetivo de mantê-lo no poder após a derrota nas eleições. Ele está preso desde novembro do ano passado.

Defesa cita relatório médico

A prisão domiciliar foi concedida por Moraes em março, após o ex-presidente ser internado em um hospital particular de Brasília para tratar um quadro de broncopneumonia. Na ocasião, o ministro considerou que o estado de saúde de Bolsonaro justificava a medida em caráter humanitário. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou favoravelmente ao pedido.

A defesa anexou ao novo pedido um relatório médico atualizado, elaborado na segunda-feira (22). Segundo os advogados, embora o documento registre estabilidade clínica, isso não significa que as enfermidades de base tenham sido superadas.

"Nesse sentido, a evolução clínica favorável observada ao longo desse período, embora constitua dado positivo sob o ponto de vista assistencial, não autoriza a conclusão de que tenham desaparecido as circunstâncias clínicas que fundamentaram a concessão da medida", afirmaram os defensores.

Tornozeleira eletrônica e vistoria de veículos

Os advogados dizem ainda que Bolsonaro continua precisando de acompanhamento especializado, avaliação médica contínua e monitoramento regular em razão de doenças de base e comorbidades. A defesa também afirma que o ex-presidente faz uso de medicamentos contínuos, inclusive remédios que atuam sobre o sistema nervoso central e exigem atenção a possíveis efeitos sobre cognição, equilíbrio e risco de quedas.

Desde que passou a cumprir prisão domiciliar, Bolsonaro está submetido a restrições impostas por Moraes, como uso de tornozeleira eletrônica, monitoramento da área externa da residência, vistoria de veículos que deixem o local, proibição de manifestações em um raio de um quilômetro e veto ao uso de celulares, redes sociais e gravação de vídeos ou áudios.

Com o fim do prazo inicial, caberá a Alexandre de Moraes decidir se mantém Bolsonaro em prisão domiciliar ou se determina seu retorno ao sistema prisional. O ministro poderá levar em conta o novo relatório médico apresentado pela defesa e, se considerar necessário, determinar perícia para avaliar o atual estado de saúde do ex-presidente.

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