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Apostas online
Congresso em Foco
30/6/2026 15:34
A exposição das casas de apostas durante a Copa do Mundo, transmitida integralmente pela CazéTV no Brasil, impulsionou a apresentação de projetos para endurecer as regras do setor na Câmara dos Deputados.
A emissora é a única plataforma brasileira com transmissão de 100% dos jogos do torneio, o que ampliou a visibilidade da publicidade das bets e colocou o tema no centro da agenda legislativa.
Nesse cenário, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) instaurou uma averiguação preliminar para apurar a divulgação de casas de apostas durante as transmissões da CazéTv.
O órgão vai analisar se houve descumprimento das normas de defesa do consumidor e das regras que disciplinam as apostas de quota fixa, especialmente em relação à proteção de crianças e adolescentes e à transparência das peças publicitárias.
Levantamento realizado pelo Congresso em Foco identificou que, desde o início da Copa do Mundo, em 11 de junho, a Câmara dos Deputados recebeu 11 projetos de lei relacionados às apostas esportivas e aos jogos on-line.
As propostas revelam uma mudança no foco da discussão sobre o setor. Depois da regulamentação das apostas de quota fixa pela Lei 14.790/2023, o debate passou a priorizar os impactos da atividade sobre consumidores, famílias e grupos vulneráveis.
Publicidade, ludopatia, superendividamento, uso de crédito e proteção de beneficiários de programas sociais passaram a orientar a nova leva de iniciativas.
Veja, abaixo, um panorama das iniciativas apresentadas na Câmara desde o início da Copa do Mundo.
Publicidade domina a nova ofensiva
A publicidade das bets concentra a maior parte das iniciativas apresentadas desde o início da Copa.
Os textos variam em intensidade, mas seguem a mesma direção: reduzir a presença das plataformas em transmissões esportivas, meios de comunicação e ambiente digital.
Algumas propostas restringem anúncios em rádio e televisão ou limitam a atuação de influenciadores digitais.
Outras avançam para a proibição de patrocínios esportivos, programas de afiliados, merchandising e bônus promocionais. Há ainda projetos que permitem apenas a divulgação institucional dentro das próprias plataformas autorizadas.
A presença das casas de apostas durante a Copa ampliou a discussão sobre os limites entre publicidade e entretenimento.
Nesse contexto, uma das propostas também mira diretamente as transmissões esportivas ao proibir que narradores, comentaristas e repórteres incentivem apostas durante os jogos.
O foco se amplia para o comportamento do apostador
O levantamento mostra que o Congresso já não discute apenas como as bets anunciam seus serviços, mas também como os usuários acessam as plataformas.
Entre as medidas apresentadas estão a proibição do uso de cartão de crédito, Pix parcelado, empréstimos e financiamentos para apostar, além da vedação da participação de beneficiários de programas federais de transferência de renda, como Bolsa Família, BPC, Auxílio Gás e Pé-de-Meia.
As iniciativas refletem a preocupação de parlamentares com o aumento do endividamento e com a utilização de recursos destinados à proteção social em plataformas de apostas.
Saúde mental passa a integrar o debate
Outra mudança observada é a incorporação da saúde pública à discussão sobre o setor.
Projetos apresentados nas últimas semanas propõem criar políticas de prevenção ao transtorno do jogo compulsivo, ampliar o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e obrigar as operadoras a oferecer mecanismos como autoexclusão, limites de apostas, alertas de risco e canais de acolhimento.
Também há iniciativas que reforçam a transparência das plataformas, exigindo informações detalhadas sobre ganhos, perdas, histórico de apostas e ferramentas para que o usuário possa controlar seus próprios gastos.
Congresso muda o foco sobre as bets
Mais do que responder a um caso específico, o conjunto de projetos revela uma mudança na forma como o Legislativo passou a tratar o mercado de apostas.
Se, nos últimos anos, a prioridade foi estabelecer regras para o funcionamento da atividade, agora o foco recai sobre seus efeitos sociais.
A preocupação deixa de ser apenas a exploração econômica das bets e passa a incluir a influência da publicidade, a proteção de públicos vulneráveis, o combate ao vício e a prevenção do superendividamento.
Em diferentes estágios de tramitação, os projetos revelam uma mudança de foco do Legislativo: da regulamentação do mercado para a discussão sobre seus impactos sociais, especialmente diante da maior exposição das bets durante a Copa do Mundo.
Confira os 11 projetos:
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