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Informativo nº 176 ano 23
16/9/2026 8:11
"O homem que disputa o osso a um cão tem sobre este a grande vantagem de saber que tem fome; e é isto que torna grandiosa a luta."
Luta sem vencedor
Após horas de julgamento, acusações, gritos e pedidos de respeito, como todos sabem, o STF terminou sem decidir a pergunta que levou os ministros ao Plenário: a apuração sobre Moraes pode continuar? Dino pediu vista e Fachin proclamou 4 a 3 pela separação dos processos de Moraes e Mendonça. Na prática, o Supremo saiu da arena com uma conta que ainda pode terminar em 4 a 4. (Clique aqui)
Cadeira no placar
O pedido de vista pode empurrar a decisão por até três meses (é o prazo regimental para devolução de vista). E o tempo acrescenta uma variável que não foi pensada quando a sessão começou: a vaga aberta no STF. Se Lula fizer a indicação e o novo ministro tomar posse antes da retomada, ele poderá encontrar uma Corte dividida e participar do julgamento, desempatando o resultado. (Clique aqui)
Você já sabia
Quem acompanhou nosso canal não precisou esperar o fim da sessão para entender o que estava acontecendo. Cada reviravolta chegou em tempo real, direto do Plenário para o celular. Para o próximo capítulo não chegar como reprise, clique aqui.
O julgamento, round a round
Para quem perdeu algum capítulo, eis a maratona:
Fachin abriu a sessão pedindo serenidade e avisando que o STF não julgaria pessoas, mas fatos. (Clique aqui)
Nunes Marques se declarou impedido. (Clique aqui)
Toffoli alegou suspeição por foro íntimo. (Clique aqui)
Logo no começo, Dino e Fachin divergiram até sobre como pedir um aparte. (Clique aqui)
Depois, Dino e Gilmar questionaram a mudança de relatoria e a atuação de Fachin. (Clique aqui)
Dino também defendeu que os casos de Moraes e Mendonça fossem julgados juntos. (Clique aqui)
Veio então um dos rounds mais pesados. Moraes acusou Mendonça de pedir à PF que o incluísse em uma delação. Mendonça respondeu: "- Mentira, mentira, mentira". (Clique aqui)
Fux e Mendonça falaram em uma "PF paralela" monitorando ministros. (Clique aqui)
Gilmar criticou o afastamento de Andrei Rodrigues e comparou a medida a afastar o presidente da Nasa. (Clique aqui)
Depois subiu ainda mais o tom com Mendonça: "- Quem não se dá ao respeito não merece respeito". (Clique aqui)
Enquanto quase todo mundo falava, Cármen Lúcia permaneceu em silêncio durante boa parte da sessão. (Clique aqui)
Dino aproveitou a tarde para criticar possíveis sanções dos Estados Unidos contra ministros e classificou eventual pressão como "ilegítima". (Clique aqui)
Na volta do intervalo, Fachin votou contra a união dos processos. (Clique aqui)
Dino, ao falar sobre corrupção no Judiciário, disse que nem juntando as mãos de todos os ministros seria possível contar os casos. (Clique aqui)
Dino citou a Lava Jato para defender uma "curva de aprendizado" institucional. (Clique aqui)
Dino e Fux ainda divergiram sobre se existia ou não investigação contra Moraes. (Clique aqui)
Zanin e Dino votaram pela união dos casos, levando o placar momentaneamente a 3 a 1. (Clique aqui)
Moraes também aderiu e perguntou o que exatamente o Plenário estava sendo chamado a votar. (Clique aqui)
Mendonça acompanhou Fachin pela separação dos processos. (Clique aqui)
E voltou a discutir com Gilmar: "- Não ponha palavras na minha boca". (Clique aqui)
Pouco depois veio o "pode chorar", de Gilmar para Mendonça, no momento em que o ambiente já escapava definitivamente da liturgia habitual do Supremo. (Clique aqui)
Paulo Gonet também foi à tribuna para negar relação de proximidade com Daniel Vorcaro. (Clique aqui)
Moraes e Mendonça protagonizaram outro bate-boca quando o primeiro chamou de "patética" a alegação de monitoramento de ministros. (Clique aqui)
Moraes ainda acusou Mendonça de manter uma "investigação ilegal" contra ele. (Clique aqui)
Fux votou pela separação e aproximou o placar. (Clique aqui)
Cármen Lúcia, finalmente, falou. Pediu desculpas aos brasileiros e disse estar em "profunda tristeza" com a situação do STF. (Clique aqui)
Depois, Cármen votou pela separação dos julgamentos. (Clique aqui)
Gilmar, por sua vez, buscou no ladrão de galinhas uma metáfora para resumir a condução do caso: "serviço mal feito". (Clique aqui)
Quando já havia muito mais frases de efeito do que condições para decidir, Dino pediu vista.
Se você chegou até aqui, parabéns: oficialmente durou menos que a sessão do STF.
Depois da pancadaria
O problema do STF acordou maior do que entrou no Plenário. A vista de Dino comprou tempo, mas não comprou solução. Pela frente estão uma eleição, uma cadeira vazia, uma possível indicação de Lula e uma Corte que pode reencontrar o processo dividida ao meio. Até lá, ministros terão de conviver com acusações que não desapareceram quando os microfones foram desligados. O julgamento parou. A crise, evidentemente, não pediu vista.
Direto da Redação
Conta-se que, após a cobertura de ontem, já não era possível determinar com segurança onde terminava o Supremo e começava esta redação. Os focas haviam incorporado a liturgia da Corte: um pediu aparte para ir ao banheiro, outro alegou suspeição para revisar o texto do colega e um terceiro, visivelmente combalido, requereu vista do próprio computador.
A Alta Direção, guardiã derradeira da ordem constitucional e do fechamento, indeferiu todos os pleitos. Argumentou que cansaço não gera impedimento, fome não configura questão de ordem e colapso nervoso, embora compreensível, não suspende publicação.
Foi então que um redator, após publicar a enésima matéria, jurou ter visto Rui Barbosa sentado discretamente no fundo da sala. Convocado do além pela excepcionalidade jurídica da ocasião, a Águia de Haia teria acompanhado alguns minutos da sessão, consultado três tratados, relido a Constituição e, incapaz de alcançar conclusão minimamente segura, perguntado onde se protocolava pedido de vista.
O redator disse não confirmar a aparição. Informou apenas que, ao fim da cobertura, encontrou sobre uma mesa um monóculo, uma pena e um bilhete manuscrito: "volto quando houver jurisprudência".
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Conexões sob apuração
Dino determinou diligências sobre possíveis relações entre Mendonça, o Master e a concessão de cemitérios em São Paulo. Não concluiu pela existência de irregularidade. (Clique aqui)
CPI do Master
Alessandro Vieira comunicou que vai ao STF tentar obrigar o Senado a instalar a CPI do Master. O pedido tem 41 assinaturas e está parado há seis meses. (Clique aqui)
Pressão no Congresso
Alessandro Vieira também afirma que ministros pressionam parlamentares contra mudanças nas regras do STF, como mandato para integrantes da Corte. (Clique aqui)
De olho em Moraes
Senadores favoráveis a uma investigação contra Moraes se reuniram na CDH para acompanhar juntos a sessão do STF. (Clique aqui)
A portas fechadas
Adriana Ventura cobrou explicações de Fachin depois de não conseguir entrar no Plenário, apesar de afirmar ter seguido o procedimento de credenciamento. (Clique aqui)
OAB no jogo
Beto Simonetti disse que a OAB não vai silenciar diante da crise e defendeu transparência, apuração de irregularidades e reforma do Judiciário. (Clique aqui)
Campanha interrompida
Flávio Bolsonaro parou a agenda eleitoral para falar da crise e acusou Lula de provocar "desequilíbrio institucional" pela proximidade, segundo ele, com parte do STF. (Clique aqui)
Enquanto isso, nas urnas
CNT/MDA aponta Lula com 47,3% e Flávio Bolsonaro com 40% em eventual segundo turno. No primeiro, são 40,5% a 30,4%. (Clique aqui)
Troca no Senado
Janaína Riva substituiu os dois suplentes da chapa em Mato Grosso. Entraram Danilo Trento, citado em investigações, e Rafael Yamada, denunciado em ação sobre contratos públicos. (Clique aqui)
Milhão em espécie
PF apura R$ 1 milhão em saques e provisionamentos em dinheiro vivo durante o período eleitoral em Sorocaba. (Clique aqui)
Bilhões digitais
Lula sancionou o Redata, com previsão de R$ 5,2 bilhões em incentivos fiscais para data centers em 2026. (Clique aqui)
Falecimento
Morreu aos 94 anos o ex-deputado Philemon Rodrigues, pastor e teólogo que exerceu três mandatos como titular na Câmara. (Clique aqui)
"O custo de não decidir", por Marco Antônio Tavares e Samuel Carioca. (Clique aqui)
"Quando o patrimônio cultural imaterial ultrapassa fronteiras", por Anita Mattes. (Clique aqui)
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