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STF

Fux e Mendonça dizem que há uma "PF paralela" que monitoram ministros

Ministros afirmam que estrutura atuaria contra integrantes do Supremo; direção da Polícia Federal já negou monitoramento ilegal.

Congresso em Foco

15/9/2026 12:47

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Os ministros Luiz Fux e André Mendonça, do STF, levantaram nesta terça-feira (15) a suspeita de que exista uma estrutura paralela dentro da Polícia Federal voltada ao monitoramento de integrantes da Corte.

A afirmação ocorreu durante os debates no plenário do Supremo, em meio à crise envolvendo a atuação da PF e as investigações relacionadas ao Banco Master. Fux afirmou que não seria admissível que um órgão do Estado atuasse contra integrantes do próprio STF.

"Ninguém pode permitir que fique um órgão trabalhando contra o Supremo Tribunal Federal, peitando o ministro do Supremo Tribunal Federal."

Na sequência, Fux foi direto ao tratar da suspeita e alertou o decano da Corte, Gilmar Mendes.

"Nós temos hoje uma PF paralela, uma PF paralela, com monitoramento de ministros. Não pense que você está salvo não, ministro Gilmar."

O ministro ressaltou, no entanto, que a crítica não se dirige à instituição como um todo. Segundo ele, a Polícia Federal merece "o nosso maior respeito" quando atua dentro de suas atribuições e auxilia o Poder Judiciário.

"A Polícia Federal tem o nosso maior respeito quando ela age dentro das suas funções e auxilia o Poder Judiciário e não prejudica o Poder Judiciário."

Fux relembra caso envolvendo Gilmar

Durante a discussão, Fux fez referência ao ex-diretor-geral da PF e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda.

A menção remete ao episódio de 2008 em que Lacerda deixou o comando da Abin em meio a acusações de que a agência teria participado de escutas clandestinas envolvendo Gilmar Mendes, então presidente do STF.

Ao citar o episódio, Fux sustentou que eventuais irregularidades envolvendo órgãos de inteligência ou policiais devem ser enfrentadas por meio dos mecanismos institucionais e com controle judicial.

  • Acompanhe a cobertura em tempo real.
  • Processo: PET 16.662

Relembre

A tensão no STF ganhou força a partir de decisões e investigações ligadas ao caso Banco Master, especialmente quando o ministro André Mendonça tirou o sigilo de relatório da PF que reunia supostos contatos entre Moraes e Vorcaro.

Após isso, em 3 de setembro, Alexandre de Moraes levou ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma comunicação com acusações contra o colega e um relatório sem valor probatório.

Moraes afirmou que o colega teria ultrapassado os limites da relatoria ao direcionar investigações, interferir na condução de diligências e incluir como alvos o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Essa manifestação deu origem à Petição 16.704, parte do inquérito das fake news, que passou a concentrar parte das acusações.

O conflito se ampliou quando Mendonça determinou o afastamento da cúpula da Polícia Federal e adotou decisões que depois passaram a ser questionadas pela Procuradoria-Geral da República e por outros ministros.

No dia seguinte, Flávio Dino mandou reintegrar Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e Leandro Almada à Diretoria de Inteligência. Fachin interveio e afirmou que a coexistência de procedimentos relacionados, sob diferentes relatorias, criava um "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual".

O presidente do STF passou então a centralizar na Presidência informações relacionadas aos casos e suspendeu as duas liminares. Ao intervir nas decisões conflitantes, afirmou que o STF havia chegado a um quadro de "conflitos e sobreposições processuais" capaz de configurar "grave lesão à ordem pública e à integridade deste tribunal".

Fachin determinou sessão extraordinária na próxima terça-feira (15) para analisar pedido da PGR pela nulidade do relatório. Na mesma decisão, o ministro revogou a designação de Moraes para conduzir o chamado inquérito das fake news.

Na noite de quinta-feira (10), a discussão chegou a um novo patamar com a determinação de Fachin que solicitou a retirada do sigilo completo no inquérito sob relatoria de Mendonça, que atendeu ao pedido.

Moraes então enviou ofício ao presidente da Corte para informar a supressão de 180 documentos e requerer a divulgação, o que levou Fachin a estabelecer prazo de 24h para que as peças passem a constar no processo.

No sábado (12), o toma lá, dá cá continua. Gilmar Mendes pediu ao presidente da Corte que determine o fornecimento da cópia integral dos dados extraídos do celular de Vorcaro. Já Fachin começou a responder as peças protocoladas na noite anterior e negou pedido de Moraes para incluir caso contra Mendonça na sessão de terça. Em contrapartida, a petição entra na pauta do dia 23 de setembro.

No domingo (13), a disputa passou a se concentrar também no acesso à íntegra do celular de Vorcaro. A Polícia Federal informou a Fachin que poderia fornecer imediatamente cópias dos dados, o compartilhamento, porém, dependeria de autorização do presidente do STF.

Gilmar Mendes também elevou o tom contra a condução de Mendonça. O decano afirmou que os ministros haviam recebido apenas "recortes de diálogos selecionados" do celular de Vorcaro e que, sem acesso aos dados completos, os integrantes do Plenário ficariam reduzidos à condição de "espectadores do trabalho desenvolvido pelo relator".

Mendonça se posicionou contra a medida naquele momento. O ministro afirmou que acrescentar às vésperas da sessão informações que ainda não constavam dos autos "somente contribuiria para tumultuar o julgamento" e sustentou que os elementos usados no relatório já estavam integralmente disponíveis aos demais ministros.

Ainda no domingo, Moraes apontou uma nova peça que, segundo ele, permanecia fora do material disponibilizado aos ministros: a Petição 15.645. O ministro pediu a Fachin que retirasse o sigilo do processo e disponibilizasse a íntegra dos autos antes do julgamento da Petição 16.662.

Fachin encaminhou o pedido à PGR para manifestação, que concordou com o pedido. O presidente da Corte determinou nesta segunda-feira (14) a quebra de sigilo solicitada por Moraes, que já foi acatada.

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Caso Master André Mendonça crise no STF Alexandre de Moraes julgamento Moraes-Vorcaro STF Polícia Federal Luiz Fux Gilmar Mendes

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