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STF

Dados de celular de Vorcaro podem ser enviados imediatamente, diz PF

Manifestação ocorre após Fachin dar 24h para que a corporação explicar custódia do aparelho.

Congresso em Foco

13/9/2026 12:55

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A Polícia Federal (PF) informou neste domingo (13) ao presidente do STF, Edson Fachin, que possui condições de fornecer imediatamente aos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes cópias dos dados extraídos do celular do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Segundo a corporação, o compartilhamento poderá ser realizado com mecanismos destinados a preservar a cadeia de custódia, incluindo a individualização dos lacres e a certificação da integridade do material, caso Fachin autorize a medida.

A manifestação da PF ocorre depois de ministros do Supremo cobrarem acesso integral ao conteúdo extraído do aparelho de Vorcaro, que passou a ocupar posição central na controvérsia envolvendo as investigações relacionadas ao Banco Master.

PF diz que pode enviar íntegra do celular de Vorcaro imediatamente.

PF diz que pode enviar íntegra do celular de Vorcaro imediatamente.Divulgação | Arte Congresso em Foco

Zanin solicitou acesso ao material, Gilmar reforçou o pedido e criticou o que classificou como "acesso assimétrico" às informações, enquanto Moraes apresentou questionamentos sobre a disponibilização de documentos relacionados aos procedimentos.

Em resposta, Fachin estabeleceu prazo de 24 horas para que a corporação informasse quem mantém a custódia e em que estado se encontra o material extraído do celular de Daniel Vorcaro.

Segundo a PF, o procedimento poderá preservar a cadeia de custódia, conceito utilizado para registrar e controlar todas as etapas pelas quais uma prova passa, desde sua obtenção até sua utilização em uma investigação ou processo.

No caso dos dados do celular de Vorcaro, a Polícia Federal afirma que poderá realizar a individualização dos lacres e certificar a integridade do conteúdo compartilhado.

O repasse, entretanto, depende de autorização de Fachin. Como presidente do STF, ele passou a concentrar decisões relacionadas aos procedimentos que desencadearam uma série de divergências entre integrantes da Corte e assumiu a relatoria da Petição 16.662, anteriormente conduzida pelo ministro André Mendonça.

Processo: PET 16.704

Relembre

A tensão no STF ganhou força a partir de decisões e investigações ligadas ao caso Banco Master, especialmente em procedimentos sob relatoria do ministro André Mendonça. Em 3 de setembro, Alexandre de Moraes levou ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma comunicação com acusações contra o colega.

O relator do caso Master havia levantado o sigilo de parte da investigação, que alcançava Moraes, inclusive com referências a mensagens enviadas pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para um número atribuído ao ministro.

Moraes afirmou que o colega teria ultrapassado os limites da relatoria ao direcionar investigações, interferir na condução de diligências e incluir como alvos o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Essa manifestação deu origem à Petição 16.704, parte do inquérito das fake news, que passou a concentrar parte das acusações.

O conflito se ampliou quando Mendonça determinou o afastamento da cúpula da Polícia Federal e adotou decisões que depois passaram a ser questionadas pela Procuradoria-Geral da República e por outros ministros.

No dia seguinte, Flávio Dino mandou reintegrar Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e Leandro Almada à Diretoria de Inteligência. Fachin interveio e afirmou que a coexistência de procedimentos relacionados, sob diferentes relatorias, criava um "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual".

O presidente do STF passou então a centralizar na Presidência informações relacionadas aos casos e suspendeu as duas liminares. Ao intervir nas decisões conflitantes, afirmou que o STF havia chegado a um quadro de "conflitos e sobreposições processuais" capaz de configurar "grave lesão à ordem pública e à integridade deste tribunal".

Fachin determinou sessão extraordinária na próxima terça-feira (15) para analisar pedido da PGR pela nulidade do relatório. Na mesma decisão, o ministro revogou a designação de Moraes para conduzir o chamado inquérito das fake news.

Na noite de quinta-feira (10), a discussão chegou a um novo patamar com a determinação de Fachin que solicitou a retirada do sigilo completo no inquérito sob relatoria de Mendonça, que atendeu ao pedido.

Moraes então enviou ofício ao presidente da Corte para informar a supressão de 180 documentos e requerer a divulgação, o que levou Fachin a estebelecer prazo de 24h para que as peças passem a constar no processo.

Neste sábado (12), o toma lá, dá cá continua. Gilmar Mendes pediu ao presidente da Corte que determine o fornecimento da cópia integral dos dados extraídos do celular de Vorcaro. Já Fachin começou a responder as peças protocoladas na noite anterior e negou pedido de Moraes para incluir caso contra Mendonça na sessão de terça. Em contrapartida, a petição entra na pauta do dia 23 de setembro.

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