Alckmin venceu em menos estados do que no 1º turno
O presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, viu desaparecer em quatro estados a vantagem que tinha sobre o presidente Lula, reeleito neste domingo. No primeiro turno, o tucano venceu em 11 unidades da federação. Hoje, levou a melhor em sete.
Alckmin manteve a hegemonia em todos os estados da região Sul - Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná -, em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Roraima. Em Rondônia, Acre, Goiás e no Distrito Federal, o presidente Lula conseguiu reverter a vantagem do tucano e conquistou o maior número de votos.
O petista manteve o domínio dos votos nos nove estados do Nordeste e nos estados onde havia vencido no primeiro turno: Amazonas, Pará, Amapá, Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Os dados levam em conta a apuração de 90% dos votos.
Lula conseguiu também diminuir a diferença em relação a Alckmin em São Paulo, principal colégio eleitoral do país. No primeiro turno, o tucano abriu 18 pontos de vantagem. Agora, a diferença caiu para cinco.
Em Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país, a diferença entre Lula e Alckmin aumentou, apesar de o tucano ter reforçado a campanha no estado. No primeiro turno, a vantagem do petista era de dez pontos. Agora, chega aos 21 pontos.
Mas foi no Nordeste que Alckmin viu seu eleitorado minguar. Em Pernambuco, terra do senador José Jorge (PFL-PE), vice em sua chapa, ele obteve 21,56% dos votos, contra 78,44% de Lula. Na Bahia, onde o aliado Antonio Carlos Magalhães (PFL) também perdeu força, ele conquistou 34,91% dos votos, contra 65,09% do petista.
Alckmin teve 2,4 milhões de votos a menos que no 1º turno
O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, alcançou uma marca rara neste domingo: terminar o segundo turno com 2,4 milhões de votos a menos que no primeiro turno. Em 1º de outubro, o tucano conquistou o apoio de 39,9 milhões de eleitores. Nesta segunda rodada, o tucano recebeu 37,5 milhões de votos.
Embora a maior parte dos votos seja contabilizada ainda neste domingo, o resultado oficial da eleição só deve ser divulgado nesta segunda-feira. Em algumas regiões de difícil acesso, em geral na região Norte, pode haver atrasos no transporte das urnas eletrônicas.
O presidente Lula (PT), que venceu a disputa com mais de 60% dos votos, fala neste momento como presidente eleito, em discurso na capital paulista. Ele afirmou que após a confirmação do resultado da eleição, recebeu um telefonema do adversário com os cumprimentos pela vitória.
Lula reconheceu erros do primeiro mandato e prometeu corrigi-los nos próximos quatro anos. Visivelmente satisfeito com a vitória, ele chegou a brincar com um dos bordões de sua campanha. "Pode ver que tem gente na rua dizendo: deixa o homem trabalhar".
"A vitória é da sabedoria do povo brasileiro", diz Lula
Em seu primeiro discurso como presidente reeleito, Lula (PT) destacou a necessidade de pôr fim à disputa política e de construir governabilidade por meio de uma interlocução maior com a oposição e os governadores eleitos. "A eleição acabou e não tem mais adversário. O adversário são as injustiças sociais", disse, anunciando que a reforma política será uma de suas prioridades no início do segundo mandato.
Fiel ao seu estilo, Lula usava uma camiseta com os dizeres "A vitória é do Brasil". Em seu pronunciamento, acompanhado - e bastante aplaudido - por vários ministros e apoiadores de sua candidatura, ele emendou: "A vitória não é do PT, não é do PRB, não é do PCdoB, não é de nenhum partido político, mas eminentemente da sabedoria do povo brasileiro".
Logo em seguida, num hotel em São Paulo, Lula deu sua primeira entrevista coletiva após a eleição de segundo turno. Ele prometeu conversar com "todas as forças políticas até dezembro". E acrescentou que nos últimos anos acumulou a experiência necessária para lidar com a máquina administrativa, o que possibilitará apresentar resultados mais positivos em seu segundo governo. "Posso garantir para vocês que vamos ter mais empregos, mais crescimento e mais justiça social", afirmou.
Mas o presidente ponderou, que apesar de sua disposição para ampliar a distribuição de renda, o novo governo deverá manter uma "política fiscal dura".
Alckmin: "A democracia é uma beleza"
Em seu discurso após o resultado das urnas, que reelegeram o presidente Lula, o candidato derrotado à Presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, agradeceu ao ex-governador de São Paulo Mário Covas, "que nos inspirou". O tucano também agradeceu à militância do partido e aos voluntários de sua candidatura ao Planalto.
"Eu estou feliz, com consciência tranqüila. Fiz o máximo que pude, me esforcei, percorri o Brasil levando a mensagem da integração nacional e do desenvolvimento regional. A democracia é uma beleza. Liguei para o presidente Lula e o parabenizei pela vitória. A vida é feita de conquista e de dificuldades também. Essa é a beleza da vida e da democracia", disse Alckmin.
Cristovam admite ter votado em Alckmin
Apesar da decisão do PDT de não apoiar ninguém neste segundo turno, o senador Cristovam Buarque (DF) admitiu ter votado no candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin.
"Não votei pensando em quem vai ganhar, votei pensando na história. Mas estou preocupado com os próximos meses. Temo que a democracia esteja imprensada entre os que querem o impeachment e o golpe. Vamos passar por momentos difíceis", afirmou.
Segundo o senador, a vitória do presidente Lula poderá trazer problemas à democracia. "A força que o presidente chega e seu carisma podem levar a tentações autoritárias. O presidente se sente como um monarca. No caso do Lula, se reeleito, os mesmos quadros vão continuar, e, com o passivo existente, há o risco de uma crise. E, instalada tal crise, ele poderá tentar passar por cima do Congresso", disse.
Cristovam teme, por exemplo, manobras para tentar um terceiro mandato ou o uso excessivo de medidas provisórias em um eventual segundo governo.
"O PT se acomodou diante do fato de o governo não fazer mudanças, diante dos escândalos e rapidamente se acomodará diante de gestos autoritários. Não teve intelectuais que disseram que na política é preciso pôr a mão na lama? Essas mesmas pessoas podem defender que se coloquem algemas nas mãos dos que são contra a sua política", ressaltou.
Não são 30 ou 40 pessoas que vão me calar, diz Dirceu
O ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado, José Dirceu (PT), reagiu as tentativas de agressões e a vaias que recebeu na tarde de hoje quando foi votar na zona sul de São Paulo. Dirceu foi chamado de "ladrão, "bandido" e "judas". Veja abaixo os principais comentários de Dirceu no seu blog:
"Eu queria aproveitar e agradecer a todos e a todas que prestaram solidariedade a mim, antes e ao longo deste dia, aqui neste blog. Diante de manifestações de intolerância e incivilidade, reitero que é preciso entender que o país tem democracia - como vimos hoje nesta vitória histórica de Lula -, existe aqui o Estado Democrático de Direito e, por fim, há a liberdade de expressão.
Não são 30 ou 40 pessoas que vão me calar, ainda mais porque, na melhor das hipóteses, elas não sabem que lutei para que pudessem, hoje, ter o direito de se manifestar e se organizar em um partido. Eu mantenho a serenidade e a tranqüilidade, porque sei que tenho respaldo da militância do PT e de setores da sociedade. Sei, também, que estou ao lado de mais de 56 milhões de brasileiros e brasileiras que votaram em Lula, no seu governo e no PT."
Jefferson: "Eleição é mais um fato econômico"
O deputado cassado Roberto Jefferson, responsável pelas denúncias sobre o esquema do mensalão, acaba de dar uma entrevista à TV Bandeirantes. De acordo com o ex-parlamentar, os deputados que participaram do esquema do mensalão se reelegeram por pertencerem ao alto clero da Câmara, tendo em vista que a "eleição é mais um fato econômico".
"O mensaleiro é o alto clero do Congresso, é o presidente de partido, é o líder de partido. Ficou todo mundo em condições de disputar o pleito e se eleger deputado federal. Já o sanguessuga é o baixo clero. Esse era duro, e chegou desmoralizado na eleição".
"A eleição é mais um fato econômico. Em especial a eleição parlamentar. Quem tem mais condição, tem mais chance de vencer" complementou.
Sobre a reforma política, Jefferson declarou: "O pior problema da câmara dos deputados é o troca-troca de partido. E quando ele troca de partido, ele faz um pedido de luvas. É fundamental a fidelidade partidária. Tem deputado que troca mais de partido do que de camisa. E o povo não gosta, o povo não aceita isso".
Em relação à expectativa de Jefferson sobre o Congresso, o deputado cassado destacou o papel da imprensa na fiscalização da próxima legislatura. "Vai melhorar a vigilância da sociedade. A imprensa terá um papel fundamental. Hoje a imprensa sabe como se opera esse negócio de emenda. A imprensa vai fiscalizar. Será um Congresso mais vigiado pela sociedade".
FHC: "Terceiro turno é coisa de golpista"
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou na manhã de hoje que um "terceiro turno" é "golpismo". No entanto, FHC sinalizou que a oposição deve insistir que as denúncias contra o governo sejam apuradas até o fim.
"Isso não existe, isso é conversa. Terceiro turno é coisa de golpista, que quer imaginar fazer um impeachment". "Eu fui contra o governo militar e, na época, era difícil. Não vai ser agora que eu vou em qualquer manobra golpista", complementou o líder tucano.
O ex-presidente também negou que as eleições estejam sob suspeição. "A eleição não tem nenhuma suspeição porque é limpa. Suspeição tem em cima de quem praticou algo errado, inclusive do presidente, que não explicou como é que tanta gente próxima a ele se meteu em confusão".